O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, protagonizaram uma série de confrontos verbais durante o primeiro debate entre os dois no segundo turno das eleições, realizado pela TV Band na noite deste domingo (18). Corrupção, segurança pública, investigações envolvendo familiares e propostas de governo marcaram o encontro.

No primeiro bloco, Flávio questionou Lula sobre Roberta Luchsinger, lobista investigada em inquéritos que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente. O senador perguntou se Lula conhecia Roberta, que, segundo declarações recentes, pretende negociar um acordo de delação premiada.

Em resposta, Lula afirmou que as investigações devem seguir seu curso e declarou que ninguém será protegido, inclusive integrantes de sua família. O presidente também mencionou a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2020, quando o então ministro acusou o ex-presidente de tentar interferir na Polícia Federal.

Flávio também questionou a permanência de Lulinha na Espanha. Lula rebateu mencionando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos, e o acusou de atuar contra os interesses brasileiros.

Caso Master e acusações envolvendo familiaresLula direcionou parte de suas críticas ao caso envolvendo o Banco Master e questionou Flávio sobre R$ 134 milhões que, segundo o presidente, teriam sido pagos ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

O petista perguntou sobre o destino do dinheiro e insinuou que os recursos poderiam ter sido usados para beneficiar Eduardo Bolsonaro. Flávio não esclareceu a destinação dos valores durante a troca de acusações e respondeu com comentários sobre o filme.

O debate também foi marcado por provocações pessoais. Em determinado momento, Flávio pediu que Lula se aproximasse, em referência a uma cena de um debate presidencial de 2022. O presidente recusou e afirmou que queria distância de “miliciano”.

Na discussão sobre segurança pública, Flávio declarou que a criminalidade havia aumentado no país e questionou Lula sobre o comportamento eleitoral de pessoas presas. O presidente respondeu com ironia, citando também Jair Bolsonaro.

O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista destinada a impedir a posse de Lula. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

Escala 6×1 também entrou no confronto

Lula perguntou a Flávio se ele pretende alterar a legislação relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1. O presidente voltou ao assunto após não obter uma resposta direta na primeira tentativa.

O senador negou que pretenda mudar a proposta e acusou o adversário de divulgar informações falsas. Flávio afirmou que pretende discutir medidas relacionadas à prosperidade econômica e criticou o cenário que atribui à atual gestão.

Em outro momento, Lula chamou o adversário de “malandro carioca”. Flávio recebeu um minuto de direito de resposta durante o primeiro bloco e aproveitou o tempo para falar sobre violência, segurança pública e propostas voltadas à população de menor renda e às mulheres.

Saúde e segurança pública marcaram segundo bloco

No bloco seguinte, dedicado principalmente à saúde, Flávio afirmou que convidaria o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde. O senador declarou que pretende elevar o padrão de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mencionar o modelo do hospital.

Lula rebateu com críticas à condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Bolsonaro e questionou se a proposta do adversário poderia representar uma tentativa de privatização do SUS.

A segurança pública também voltou ao centro do debate. Flávio abordou a saída temporária de presos, conhecida como “saidinha”, e acusou Lula de priorizar os direitos de criminosos em detrimento das vítimas. O presidente respondeu afirmando que o senador poderia tentar conceder indulto ao pai e a outras pessoas.

Flávio afirmou ainda que apoiou o fim da escala 6×1 e relacionou a discussão sobre a rotina dos trabalhadores à segurança nas cidades, citando o medo enfrentado por pessoas que frequentam praias ou utilizam o transporte público.

Lula, por sua vez, criticou a experiência profissional do senador e afirmou que ele conhece o trabalho apenas pela literatura.

Primeiro debate entre os candidatos

O encontro na Band foi o primeiro debate televisivo entre Lula e Flávio Bolsonaro nestas eleições. A participação dos dois vinha sendo incerta, após divergências sobre a realização de confrontos diretos durante o primeiro turno.

Flávio chegou a afirmar que não participaria do debate, mas mudou de posição depois que a emissora confirmou a realização do programa mesmo com a possibilidade de ausência do senador. Posteriormente, ele declarou que a fala anterior havia sido uma estratégia para fazer Lula confirmar presença.

Durante o confronto deste domingo, os candidatos alternaram críticas às administrações anteriores, acusações relacionadas a investigações e declarações sobre propostas para o próximo mandato. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.