A Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil (cerca de R$ 253 mil) em espécie e relógios de luxo com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. O valor foi localizado em um endereço ligado ao parlamentar, conforme apurou a reportagem.

A apreensão ocorreu durante a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18). A investigação mira um suposto esquema de favorecimento ao Banco Master envolvendo Wagner, familiares e empresários.

As apurações estão divididas em três frentes:

Imóvel de luxo – A PF investiga a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, que teria sido adquirido por intermédio de uma empresa para ocultar o senador como real beneficiário.

 Repasses financeiros – Foram identificadas transferências de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, empresa ligada a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner. A esposa de Eduardo, Bonnie Bonilha, também integra a estrutura societária das empresas investigadas.

 Atuação política – A PF suspeita que, em troca de vantagens, o senador atuou em defesa do Banco Master no Congresso, especialmente em pautas sobre crédito consignado e ampliação dos limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A tentativa de venda do banco para o BRB também está sob investigação.

A relação próxima entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, é apontada pela PF como estratégica. Em mensagem enviada ao senador em 29 de março, Lima afirmou: *”Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso”*. Para a Justiça, a frase evidencia que Wagner não era mero receptor de informações, mas interlocutor ativo em negócios do grupo.

A defesa do senador ainda não se manifestou.