A realização do Itapedro 2026, um dos principais festejos juninos do sul da Bahia, entrou no radar dos órgãos de controle. A cerca de 20 dias do início do evento, previsto para ocorrer entre os dias 25 e 28 de junho, o Ministério Público da Bahia (MPBA) acionou o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) solicitando a suspensão de pagamentos considerados acima dos valores de mercado para atrações musicais.

A representação foi apresentada pela promotora de Justiça Rafaella Silva Carvalho, que aponta possíveis irregularidades relacionadas aos cachês de artistas contratados para a festa. Segundo o MPBA, alguns valores estariam acima da média praticada em eventos juninos de 2025, mesmo após correção inflacionária pelo IPCA.

De acordo com o levantamento, os maiores percentuais de diferença foram identificados nos cachês de artistas como João Gomes, Natanzinho Lima, Dorgival Dantas, Pablo, Thiago Aquino e Gusttavo Lima.

O Ministério Público argumenta que a ausência de justificativas técnicas para os valores contratados pode gerar prejuízos aos cofres públicos. Por isso, pediu ao TCM uma decisão liminar para impedir pagamentos que ultrapassem os parâmetros estabelecidos pelos órgãos de controle até que a Prefeitura de Itabuna e a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) apresentem documentação que comprove a compatibilidade dos preços.

Outro ponto destacado na representação é a falta de transparência. Segundo o MPBA, faltando menos de um mês para o evento, apenas o contrato do cantor Gusttavo Lima havia sido publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Os demais contratos ainda não estariam disponíveis para consulta pública.

O órgão também solicita a publicação integral dos contratos e a apresentação dos processos administrativos de inexigibilidade de licitação relacionados às contratações artísticas.

Caso o TCM acolha o pedido, parte dos pagamentos poderá ser bloqueada, o que pode resultar na renegociação de cachês, alteração da programação ou até mesmo comprometer a realização de algumas atrações previstas para o evento.

Até o momento, a Prefeitura de Itabuna e a FICC não divulgaram posicionamento oficial sobre a representação do Ministério Público.