O senador Jaques Wagner comentou a sequência de críticas trocadas entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e avaliou que podem existir questões antigas ainda não reveladas que expliquem a intensidade dos ataques.

Em entrevista, Wagner afirmou que a motivação para a chamada “virulência” de Rui contra ACM Neto pode ter origem em desentendimentos passados. “Existem brigas passadas que ainda não foram reveladas”, declarou o senador.

A avaliação ocorre após mais um episódio de troca de críticas entre os dois líderes políticos. Na última sexta-feira (29), durante evento da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc), em Ilhéus, Rui Costa rebateu declarações de ACM Neto sobre a influência dos prefeitos nas eleições estaduais.

O ministro criticou a afirmação de que o apoio de prefeitos teria pouca relevância no processo eleitoral e defendeu o papel das lideranças municipais. Segundo Rui, minimizar a influência dos gestores representa uma forma de desvalorizar representantes escolhidos pelas comunidades.

“A diferença entre nós e eles não está só na quantidade de obras. Está também na forma de olhar o outro. De que posição a gente está olhando o outro? De cima para baixo ou olhando olho no olho?”, afirmou.

A mais recente polêmica teve origem em um discurso de ACM Neto durante evento político em Vitória da Conquista, quando o ex-prefeito declarou que o grupo governista poderia contar com a máquina pública e com o apoio de prefeitos, mas que a oposição teria o apoio da população.

A declaração repercutiu entre gestores municipais e provocou debates em grupos ligados à União dos Municípios da Bahia (UPB), ampliando a discussão política em torno da sucessão estadual.

Os embates entre Rui Costa e ACM Neto têm sido frequentes nos últimos meses e reforçam a polarização entre governo e oposição na Bahia, em um cenário que antecede as eleições deste ano.