O governo federal elevou o tom das críticas aos Estados Unidos após a divulgação da conclusão preliminar da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que recomendou a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros.

Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o Palácio do Planalto classificou a iniciativa como injustificada e afirmou que a investigação estaria relacionada a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil. O governo também acusou aliados da família Bolsonaro de atuarem contra os interesses nacionais.

No comunicado, o Planalto cita a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Washington e afirma que as ações norte-americanas contam com o apoio de pessoas que utilizam cargos públicos para favorecer interesses políticos e familiares.

A nota também rebate críticas ao Pix feitas pelas autoridades norte-americanas. Segundo o governo, o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e opera sob regras aplicadas de forma igualitária a empresas nacionais e estrangeiras.

Ao contestar as alegações de práticas comerciais desleais, o Planalto destacou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial nas relações com o Brasil há mais de uma década. De acordo com dados apresentados pelo governo, o saldo positivo norte-americano em bens e serviços chegou a US$ 424,5 bilhões entre 2011 e 2025.

O governo também informou que, em 2025, cerca de 76% dos produtos importados dos Estados Unidos entraram no Brasil sem cobrança de imposto de importação, enquanto a tarifa média efetiva aplicada foi de 3,1%.

Entre os pontos contestados pelo Brasil estão ainda temas relacionados ao comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e preservação ambiental. O Planalto sustenta que as políticas brasileiras seguem padrões internacionais e não discriminam empresas ou produtos norte-americanos.

Apesar das críticas, o governo federal informou que mantém as negociações iniciadas após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio, em Washington. O objetivo é encerrar a investigação antes da conclusão prevista para 15 de julho e evitar a adoção de novas tarifas ou restrições comerciais.