A população de trabalhadores com ensino superior no Brasil mais que dobrou entre 2012 e 2025, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas a renda média desse grupo ainda não retomou o patamar máximo registrado em 2014.

De acordo com a Pnad Contínua, o número de ocupados com diploma universitário passou de 12,6 milhões em 2012 para 25,5 milhões em 2025, um crescimento de 103,3% no período. No mesmo intervalo, o total de trabalhadores no país cresceu 17,8%.

Apesar da expansão, o rendimento médio dos graduados ficou em R$ 6.947 em 2025, valor ainda 13,4% abaixo do recorde de 2014, quando a média era de R$ 8.023. Em relação a 2024, houve alta de 3,9%.

O IBGE aponta que os trabalhadores com ensino superior seguem com renda superior à média geral do mercado de trabalho, mas a diferença entre os grupos diminuiu ao longo dos anos. Em 2014, o chamado “prêmio salarial” era maior do que o observado atualmente.

Hoje, a renda média dos graduados é 163,1% maior que a de trabalhadores com ensino médio completo, enquanto em 2014 essa diferença chegava a 189,8%.

Economistas ouvidos na pesquisa atribuem parte desse movimento ao aumento da oferta de mão de obra qualificada, além de efeitos de crises econômicas, como a recessão de 2015 e 2016 e a pandemia da Covid-19.

Outro fator citado é a heterogeneidade das formações dentro do ensino superior e o crescimento de áreas com remuneração mais baixa, além da recuperação recente do mercado de trabalho puxada por ocupações de menor qualificação.

O estudo também mostra que os trabalhadores com ensino superior já representam 25,1% da população ocupada no país, o maior percentual da série histórica iniciada em 2012.