O ex-presidente Jair Bolsonaro deve divulgar nos próximos meses uma relação com os pré-candidatos que terão seu apoio nas eleições de outubro. A estratégia surge em meio ao período de prisão domiciliar imposto ao líder conservador, que atualmente está impedido de participar diretamente das articulações políticas e campanhas eleitorais.

Segundo aliados próximos, a intenção inicial é indicar principalmente os nomes apoiados pelo PL para o Senado Federal. No entanto, a lista também pode incluir pré-candidatos aos governos estaduais e até políticos de outras siglas alinhados ao grupo bolsonarista.

A movimentação tem como principal objetivo reduzir disputas internas dentro do campo conservador em estados onde há divergências sobre os nomes apoiados pelo ex-presidente. Parte desses conflitos envolve indicações defendidas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que atualmente preside o PL Mulher.

Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que a lista servirá como uma espécie de orientação oficial ao eleitor bolsonarista, evitando divisão de votos entre candidatos alinhados ao grupo e outros nomes da oposição considerados “caroneiros” por integrantes do PL.

Um acordo firmado na cúpula do partido definiu que Bolsonaro teria influência direta na escolha dos candidatos ao Senado, enquanto o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, ficaria responsável pelas definições relacionadas às disputas estaduais.

A disputa pelas vagas no Senado é considerada estratégica para o grupo político ligado ao ex-presidente. A meta é ampliar a bancada conservadora e alcançar maioria suficiente para avançar em pautas como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os estados com maiores impasses internos estão Santa Catarina, São Paulo, Ceará e Mato Grosso do Sul. Em alguns casos, a expectativa é que a manifestação pública de Bolsonaro ajude a encerrar disputas entre alas do próprio partido e fortaleça os nomes escolhidos pela família Bolsonaro e pela direção nacional do PL.