Duas estudantes indígenas da Bahia chamaram a atenção pelo excelente desempenho na Redação do Enem 2025. Primas e colegas de escola, elas são alunas do Colégio Estadual Indígena Capitão Francisco, no município de Rodelas, e fazem parte das ações de equidade desenvolvidas pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia.
Mesmo sem a divulgação oficial dos resultados por estado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, um levantamento preliminar da Secretaria da Educação identificou notas expressivas entre estudantes da rede estadual, incluindo alunos de escolas indígenas e quilombolas. Em 2025, a rede estadual baiana contou com cerca de cinco mil estudantes quilombolas e mais de sete mil indígenas inscritos no exame.
Entre os destaques está Ana Beatriz Cá Arfer Jurum Tuxá, do povo Tuxá, que alcançou 920 pontos na redação. Ela ressaltou que o resultado representa não apenas uma conquista individual, mas coletiva. “Essa nota representa minha família, meu povo e minha escola. O tema do envelhecimento dialoga com a visão indígena, que reconhece os anciões como guardiões da sabedoria e da memória”, afirmou.
A prima Eduarda Ferreira Alves, também do povo Tuxá, obteve 900 pontos. Segundo ela, a preparação contínua foi essencial. “A prática constante da escrita e o incentivo da escola fizeram toda a diferença. Falar sobre envelhecimento é fundamental para combater estigmas e valorizar os idosos, que simbolizam identidade e tradição para os povos originários”, destacou.
Com o desempenho no Enem, as estudantes podem concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada, além de acessar programas como o Programa Universidade para Todos e o Fundo de Financiamento Estudantil.