A pré-campanha para o Governo da Bahia já expõe um dos principais desafios de ACM Neto (União Brasil): administrar a relação com o PL e, ao mesmo tempo, construir uma candidatura capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado baiano.

Nos bastidores, cresce a pressão para que o ex-prefeito de Salvador aproxime sua imagem do senador Flávio Bolsonaro, nome que desponta como uma das principais apostas do bolsonarismo para a disputa presidencial. No entanto, Neto tem adotado uma postura cautelosa, evitando vinculações diretas ao cenário nacional e priorizando uma estratégia voltada para as particularidades da política baiana.

A escolha não ocorre por acaso. Aliados do ex-prefeito avaliam que uma associação mais intensa com figuras envolvidas em polêmicas nacionais pode trazer desgastes desnecessários para a campanha estadual. Em um ambiente político marcado por investigações, disputas judiciais e crises de imagem, qualquer fato novo pode alterar rapidamente o cenário eleitoral.

Além disso, pesquisas e análises de lideranças políticas indicam que o desempenho eleitoral de nomes ligados ao bolsonarismo encontra obstáculos significativos na Bahia, estado onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém forte influência política e eleitoral. Diante desse contexto, uma vinculação excessiva à disputa nacional poderia dificultar a tentativa de ampliar o alcance da candidatura oposicionista.

O desafio de ACM Neto passa justamente por encontrar um equilíbrio delicado: preservar alianças importantes sem permitir que a eleição estadual seja completamente absorvida pela polarização nacional. A experiência recente demonstra que o peso das lideranças presidenciais costuma influenciar diretamente as disputas regionais, especialmente em estados onde a identificação partidária é mais consolidada.

Ao mesmo tempo, o desconforto dentro do PL é evidente. Integrantes da legenda defendem maior protagonismo na construção da chapa e pressionam por um alinhamento mais explícito. Eventuais divergências, entretanto, podem gerar consequências para ambos os lados, já que a manutenção de uma frente ampla continua sendo vista como elemento relevante para a competitividade da oposição.

Nos próximos meses, ACM Neto deverá intensificar as articulações para manter sua base unificada e evitar rupturas que possam fragilizar seu projeto eleitoral. O resultado dessa negociação terá impacto não apenas na formação das alianças para 2026, mas também na capacidade da oposição de apresentar uma alternativa competitiva ao grupo político que atualmente governa a Bahia.

Mais do que uma simples escolha de aliados, a decisão envolve definir qual identidade a candidatura pretende apresentar ao eleitorado baiano: uma campanha fortemente conectada ao debate nacional ou uma estratégia focada nas questões locais e regionais. A resposta para essa questão pode ser determinante para os rumos da eleição.