Autoridades brasileiras avaliam que as críticas dos Estados Unidos ao Pix representam um sinal direcionado a países que estudam implementar sistemas de pagamentos instantâneos inspirados no modelo brasileiro. A interpretação surgiu após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas vantagens concedidas pelo Banco Central ao Pix em relação a outros meios de pagamento.

No documento, o governo do presidente Donald Trump afirma que o Banco Central favorece o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos de forma considerada discriminatória em relação a empresas privadas do setor financeiro. A manifestação faz parte de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos sobre práticas adotadas pelo Brasil.

O Pix se tornou referência internacional desde seu lançamento e despertou interesse de diversos países. Na América Latina, a Colômbia já lançou o Bre-B, sistema inspirado no modelo brasileiro, enquanto Peru, Chile e México também estudam alternativas semelhantes para modernizar seus meios de pagamento.

Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa nacional, o relatório americano reflete a pressão exercida por empresas de cartões de crédito e setores ligados ao mercado de criptomoedas, que observam a expansão do Pix e sua crescente adoção em diferentes mercados.

Diante das críticas, o Congresso Nacional aprovou em 2025 uma proposta que reforça a competência exclusiva do Banco Central sobre a regulação e operação do Pix, além de garantir a gratuidade para pessoas físicas e o acesso não discriminatório à infraestrutura do sistema.

Atualmente, o Pix é o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros. O sistema conta com mais de 170 milhões de usuários cadastrados e registrou, em dezembro do ano passado, mais de 313 milhões de transações em um único dia, estabelecendo um recorde histórico.