A Polícia Federal na Bahia recebeu, nesta quarta-feira (27), um pedido de investigação relacionado a suspeitas de irregularidades sanitárias envolvendo a Biofábrica de Ilhéus, no sul da Bahia. A solicitação foi apresentada pelo deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT), após denúncias sobre a possível distribuição de mudas de cacau contaminadas com o vírus do mosaico.
De acordo com informações da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), o caso já havia sido encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) no último dia 12 de maio. A entidade afirma que a situação pode representar riscos para a produção cacaueira da região.
Segundo o MPF, as apurações já estão em andamento desde o recebimento da denúncia. O relatório apresentado aponta que áreas contaminadas não teriam recebido manejo adequado e que a presença do vírus na Biofábrica seria conhecida desde 2025. Ainda conforme o documento, mudas continuariam sendo distribuídas a produtores rurais e agricultores familiares.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, o episódio poderá configurar crime ambiental previsto no artigo 61 da Lei de Crimes Ambientais, relacionado à disseminação de doenças ou pragas capazes de causar danos à agricultura e ao meio ambiente.
Ao comentar o caso, o deputado Félix Mendonça Júnior relembrou os impactos históricos da vassoura-de-bruxa na produção cacaueira baiana e cobrou rapidez nas investigações.
“Não podemos permitir impunidade a quem penaliza novamente o produtor de cacau da Bahia. Já não basta a vassoura de bruxa. As nossas autoridades policiais precisam agir de forma célere”, afirmou.
A Biofábrica de Ilhéus atua na produção de mudas clonais de cacau resistentes a doenças e de alta produtividade, além de outras espécies frutíferas e florestais. As mudas clonais são reproduções genéticas idênticas de uma planta matriz.